Curta: A Pequena Loja de Suicídios (Le Magasin des Suicides)

1 de novembro de 2016

Reprodução: gugol google

Olár polvo e polva, como vão vocês nesse dia maravilho que é 31 de outubro (sim, já sei que passou da hora mas vamos fingir que ainda é ontem)? Eu vou bem felizona porque é dia de aniversário do Disse o Corvo e ele faz 4 aninhos já que ele surgiu inicialmente no tumblr e depois voltou pra plataforma Blogger. Confiram nesse post aqui o primeiro post do bloguinho voltando para Blogosfera depois de se decepcionar com o falecido Orelha do Seu Gogh, época em que eu e ele sofremos diversas crises de identidades e perdas. Como havia comentado no twitter — inclusive me sigam lá, é @corvodopoe já que passo o dia todo online reclamando da vida — removi muitas postagens daqui para deixar ele mais limpo e mais, digamos com a cara de quem vos fala então posso afirmar para vocês que o Disse o Corvo, hoje, é a alma da Priscila Sawa em forma digitada, com vídeos, fotos e gifs em aberto então por isso que digo que não é só mais um ano de blog mas sim mais um ano que consegui deixar minha Priscila interior tomar controle de algo que lhe pertence por direito: a própria vida. Todas nós dizemos que "nosso corpo, nossa regra" e eu ouso acrescentar "meu blog, minhas regras" então sim, é um aniversário especial já que venho ralando para mantê-lo tão caseiro quanto eu num fim de semana fazendo sessão pipoca de filmes de horror ruins trancada no quarto.
Mas enfim, hoje é dia de comemorar já que é o tão aguardado Dia das Bruxas. Ou Halloween. Ou Dia de Todos os Santos. Ou All Hallow's Eve. Porém ressalto que para mim que convivo nesse clima todo dia é como se fosse mais um normal da minha rotina já que pra quem é trevoso, dia das bruxas é todo dia. Eu ia liberar o post sobre The Purge mas não é hora ainda, bati o olho nesse rascunho e fiquei toda cheia de amorzinhos e louca para mostrar ele a vocês então cuidem desse curta com todo carinho, ok? Queria muito fazer uma temática de Halloween aqui no Disse o Corvo mas ele é como o filme Hocus Pocus, "Oh, look. Another glorious morning. It makes me sick", pude perceber que é bom ser Dia das Bruxas nos 364 dias do ano, já que um deles reservo pro Natal, data favorita fora essa. Mas como não quero estragar o prazer de vocês, vou entrar no clima e falar de um curta que amo com todas as forças que é A PEQUENA LOJA DE SUICÍDIOS, que tenho certeza absoluta que vai pegar o ponto de fraco de vocês com carinho e força por sua profundidade em detalhes cheios de riquezas. Doente, triste e morbido. Porém, lindo.

Sinopse pelo Filmow: "Em um mundo imerso em depressão e desesperanças, uma família ganha a vida vendendo artigos para ajudar pessoas a cometerem suicídio. Entretanto, os negócios da família enfrentam problemas quando o filho caçula decide mudar de uma vez por todas essa realidade".

O que acontece é o seguinte, o curta mostra a história de uma cidade em algum lugar da França onde todo mundo é triste e depressivo, sem indícios de diversão alguma e que acabam recorrendo ao suicídio para escapar dessa agonia de estar vivo no corpo mas ter seu espectro perambulando por aí. O cenário não poderia ser dos melhores: TUDO CINZA. Amei isso. Cinza para combinar com o trânsito todo confuso e com os protuberantes edifícios de janelas pequeninas, colocadas ali para aumentar ainda mais a sensação de claustrofobia da morte. Nas ruas as pessoas são tão carismáticas quanto as que trombando diariamente na cidade, principalmente aqui em São Paulo, onde dá para se notar o pesar de estar, o pesar da tristeza, do mundo, em seus ombros e os olhos carregados, com enormes olheiras, arrastando o corpo desanimado já a muito sem vida.
Falando sério agora, infelizmente o Brasil é o oitavo país com altos índices de suicídios e a OMS considera isso o mal do século já que os dados nos dizem que aproximadamente 804 mil pessoas cometem suicídio mundo afora e o estudo aponta que a cada 40 minutos, uma dá cabo da própria vida em algum lugar. Preocupante, não? E é pensando nesses níveis altíssimos de mortes que nesse filme, o Estado resolveu instaurar uma lei que diz é proibido se matar em público, caso acontecesse a vítima teria um recibo com a multa salgada, claro, os parentes que teriam que pagá-la. É aí que entra a importância da família Tuvache  e os relatos de Michima no desenrolar da trama. Sim, ele é necessário para dar a alma precisa.

▲ A MORTE É A ALMA DO NEGÓCIO?



A família Tuvache tem um importante negócio na Cidade Deprê — chamarei ela assim — já que sua loja fornece artigos refinados para os mais diversos gostos de uma morte confortável e requintada. Desde venenos, facas, gás até cordas, eles são a referência no quesito "morrer com estilo". Ao decorrer do curta vemos os diálogos ásperos e divertidos entre Michima, Lucrecè, Vincent e Marilyn, sempre carregados de crítica social pesando para o lado do sentido de viver com aquela mercadoria, tudo proposital já que aqui a morte é só mais uma mercadoria. Essa é ironia da coisa, enquanto muita gente busca por um fim ao sofrimento, outras procuram lucrar com essa demanda. Mas tudo muda quando Allan nasce. Tenho por mim que ele seria aquela pessoa que entra no nosso aconchegante mundo cinza e com clima de Hello Darkness, My Old Friend e muda completamente a rotina, o jeito de falar, o modo de pensar, as manhas de prosseguir o ritual do ciclo da vida.
Como todos na cidade, os Tuvache também segue a morbidez melancólica com tendência suicidas mas Allan não. Allan nasceu alegre. Ele sorri. Ele gargalha. Ele é a cor e os movimentos que falta ali. Mesmo sendo repreendido pela família, o garoto consegue contagiar todos ao seu redor ao poucos e a beleza do curta está ali, com os Turvache andando lado a lado e apenas ele todo colorido, mostrando vida. O longa explica a trajetória toda deles com muitas canções e quotes interessantes, já aviso que ele possui bastante humor negro, discussões que são deveras politicamente incorretas, cinismo e o pessimismo do cotidiano, mas é tudo para desenvolver a trama gostosamente. Minha parte favorita? É aquela em que Marilyn aproveita que todos foram dormir e ela liberta seu melhor lado quando dança nua devido ao presente que seu irmãozinho feliz lhe deu. O que eu pude observar com isso é que Allan era o único capaz de enxergar a beleza nela, por isso ele fala constantemente que sua irmã é linda. Mas na verdade, sua família toda é linda, apenas estão desajustados na felicidade. 


Aviso que sou a loca dos curtas então não estranhem caso eu venha postar mais sobre eles porém, como é um curta que guardo com todo o carinho do não existente coração, esperei pacientemente por hoje para subir ele para vocês. O mundo deveria parar para assistí-lo ao menos uma vez no ano para poderem parar de se importarem com besteiras e focar no que interessa: você está satisfeito com sua vida? Não está sendo um pouco egoísta em não vivê-la pelo simples fato de querer que ela siga assim? Pois bem, os Turvache e sua cidade triste na França nos passa a mensagem de que se todos forem felizes, ninguém mais precisa morrer, seria hora de mudar de negócio e mudar quem esteja apito as mudanças. A PEQUENA LOJA DE SUICÍDIOS vai fazer cair o cu da bunda vocês se impressionarem como um simples garoto feliz consegue moldar seus familiares com atos simples porém que podem ser libertadores. Vou deixar de falar e quero que deem um play bem gostoso aí embaixo.





A beleza e delicadeza desse mimo é tanta que o título "macabro" de A PEQUENA LOJA DE SUICÍDIOS passa a ser uma mera lembrança daquilo que outrora foi decadente e triste. Embora eu prese bastante minha solidão e tristeza, sei muito bem que devo manter o controle do Monstro senão, infelizmente, terei a depressão batendo na porta novamente e digo a vocês, uma vez que se consegue colocar uma coleirinha nessa danada, nunca mais queremos sentí-la por perto. É bom e saudável ficar triste, mas tenham em mente que precisa ser de um jeito saudável ou vamos apenas estar fazendo a famosa hora extra na Terra, e a vida, ah, ela não precisa ser um fardo pesado.
Essa é a prova que mesmo eu preferindo os tons de cinzas da cidade, uma paleta de cores bem apimentada pode fazer a diferença mesmo que em seu interior, bem lá no fundinho, escondido. É isso gente, me digam: qual o fato de felicidade para vocês? O meu é um belo dum potão de Nutella e estar perto de quem me faz bem. Soltem o verbo nos comentários, vamos refletir sobre a vida. Um beijo e um queijo. ♥

PS: POR FAVOR, ASSISTAM AO VÍDEO ANTES DE COMENTAR, não vai matar ninguém se der um play nele e absorver a mensagem que o curta trás. Comentários que não tenham nada a ver com a mensagem dele serão entendidos como não assistido e serão deletados. Ok? PELO AMOR DE ODIN, ASSISTAM. É lindo. Bêjos.

10 comentários:

  1. Priscila boa tarde, o título do filme é bastante assustador, mas o filme é bastante interessante, uma família leva a população a atingir o desespero ao ponto de cometerem o suicídio, mas o filme também trás uma mensagem de animação até positiva. Respondendo a sua pergunta do qual o fato de felicidade pra mim é ver a minha família aqui todos aqui vivos, Priscila bjs.

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    1. Na verdade o curta não tem n a d a a ver com o título dele porque o que acontece no vídeo é totalmente diferente do que o mesmo sugere. A Pequena Loja de Suicídios é tão lindo que é preciso estar disposto a parar e prestar atenção nele todinho porque depois que o Allan nasceu, tudo mudou. O curta em si é uma chamada de atenção ao real problema que anda acontecendo com o mundo porque a taxa de suicídios, só no Brasil, é tão assustadora que se tornou um problema para o governo. A história da família Turvache se passa na França mas ela serve para qualquer nação e como o Estado, no curta, proibiu o suicídio em público, Mishima e família resolveram tirar proveito da situação para lucrar com isso.
      O que eu quero que todos entendam é que tudo é questão de tempo e mudanças, Allan nasceu numa família de depressivos que mudaram só para acompanhar a felicidade e alegria libertadora dele. É MUITO LINDO! ♥ sugiro que reveja ele novamente, com mais calma, vais entender a mensagem dele e até se emocionar.

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  2. Eu não conheço esse filme, mas eu entendi que alguém "vender" a morte? Algo como: você falhou em sua vida supera a morte, olha eu dou minha opinião, se não conseguiu ser um vencedor na vida será um fracassado durante toda a eternidade, o filme é sombrio,escuro e assuastador!Eu não quero saber sobre este mundo〷 ◠ ‿ ◠ 〷

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  3. Nao e o genero que gosto mas parece interessante, vou ver :)

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    1. Seria muito mais interessante ler a postagem por completo e assistir antes de comentar sabe? É um curta premiado, cheio de críticas positivas e a história é linda, é de nos deixar chorando de tão profunda que é. Uma pena ninguém estar prestando atenção só por causa do título dele. :(

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  4. Estou chocada! Cho-ca-da; sou escritora (tento) e não conhecia esse curta. Diferente do que vi nos comentários o nome foi o que mais me atraiu, escrevo sobre traumas psicológicos e por motivo do destino ou não meu livro atual é sobre uma garota suicida. Quando assisti ao vídeo eu pensei como sou idiota por não ter o conhecido antes! Eu simplesmente amei!

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  5. Adoro animações e esta ainda não conhecia.
    Muito interessante a animação.
    Bjs
    https://guriaantenadablog.wordpress.com/

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  6. Maaaas Pri, onde você arranja esses filmes trevosos? Hahaha. Mas nem nos meus piores momentos eu os encontraria, haha. Achei super válidas as dicas e já vou procurar o primeiro, deve ser uma graça de ver porque normalmente a gente só vê filme mesmo, com atores reais fazendo esse estilo, mas animação? Estou passada! Nem sabia que existiam!

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  7. Eu gosto bastante desse filme. Lembro de ter lido o livro antes e me apaixonei. Só não sei se o livro veio antes do filme rs

    Adorei teu blog

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  8. Nunca tinha ouvido falar sobre esse curta e achei muito interessante.
    Acabei de assistir e a reflexão que ele traz é ótima. Por que ajudar as pessoas a se livrarem da depressão através da morte, se posso ajudar elas a superar a tristeza com o amor e a felicidade? A rotina pode nos levar a infelicidade, e as vezes é necessário ficar triste, mas temos que aprender a controlar nossos sentimentos. Todos nós temos problemas, mas precisamos aprender a superar e conseguir ser feliz, para o nosso bem e de quem está ao nosso redor :)

    www.criatividadesem.com.br

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1. Espalhe amor, e não ofenda.
2. Diga ao Stitch, do Mushroomhead, que a boca dele está muito longe da minha.
3. Leia o post todo antes de comentar, não desvalorize o trabalho de quem criou.
4. Deixe seu bróguinho para eu visitar.
5. Assistam Black Sails, irão se apaixonar. ♥