Eu sei que vai ser um dia bom quando...

11 de janeiro de 2016

Morrendo de amores pela vista de hoje, ah dona chuva, sua linda.

•••••••••••••••••••


Eu sei que vai ser um dia bom quando... Quando? Todos os dias são bons, alguns com uma escala menor, outros nem comento mas qual é o exato? Repetindo, eu sei que vai ser um dia bom quando amanhece tudo nublado. Chovendo é só mais um capricho a ser adicionado. Mas quando vou para fora, foco no alto e vejo que não tem nada de azul no céu, nem um raio de calor sequer para aquecer a pele de meus braços e os dedos do meu pé sentem querem encolher-se ante o chão gelado eu sinto que vai um dia extremamente agradável. Vai ser o famoso dia de fazer vários 'nada'. Cobrir as pernas, mandar a mente longe e ficar em paz consigo mesma, escutar uma música que não roda na sua playlist a tempos, comer gordices quentes e o melhor de tudo: andar de meias pela casa. Até a programação da tv fica mais convidativa e os dvds antigos no raque da sala parecem lançamentos.
Ah, nada como acordar com aquele friozinho gostoso! Muitos podem discordar de mim mas que posso fazer? Gosto desse vento gelado bagunçando cada fio de cabelo no qual batalhei para mantê-los no lugar. O dia estava favorável desde ontem porque o meu domingo começou com o céu nublado. Respirei fundo. Agradeci por aquela vista maravilhosamente acinzentada de começo de ano.
E isso me deu uma ideia marota para uma postagem diferente. Irei falar sobre como é um dia bom para mim porque mim ser índio. Resumindo minhas origens, nasci em São Paulo mas sou filha de pernambucanos arretados, essa mistura na família é algo extremamente gostoso de se observar porque enquanto meus pais amam os dias ensolarados, eu e minha irmã preferimos os dias chuvosos. E esse debate dura semanas de discussão porque meu pai diz que isso é culpa da minha mãe: "Culpa sua as meninas gostarem daqui". Já minha mãe, em sua defesa, sempre responde: "A culpa é sua porque você veio primeiro pra cidade". Mas na verdade a culpa não é de ninguém e vou lhes explicar isso.
O que acontece quando se nasce numa cidade ausente de árvores nos dias de sol intenso? Acertou, acontece o efeito "panela de pressão" onde nós, pobres mortais, sentimos que estamos sendo cozinhados pelo calor abrasador. Tudo dói! A cabeça, a coluna, a paciência, os pulmões, ah os pulmões como eles sofrem com isso. Inalam tudo quanto é tipo de toxina  da selva de pedra. Nossas narinas? Só com o auxílio de descongestionante nasal senão você não respira. O suor? É um verdadeiro inconveniente cabuloso de lidar mesmo que seja apenas em atravessar a rua, sim, você estará pingando. E isso afeta o humor, somos mais estressados, natos pavios curto, briguentos, de grosseria estúpida mas é tudo exaustão do corpo e mente, principalmente ao ver que ainda não passou sequer metade do dia para poder ir pra casa tomar uma ducha. Mas com o clima igual ao de hoje tudo melhora, pode ter certeza. É aí que me encontrarão sorridente e amável.
O que quero dizer que o que para muitos pode ser um infortúnio para mim é a melhor coisa que pode acontecer e no caso é frio daqui, claro que não é só a questão climática que me faz sentir essa ternura toda, o fator mais comum é poder acordar fora do meu horário habitual, como não estou trabalhando, tenho o costume de acordar por volta das 11hrs da manhã até porque eu durmo tarde porém, em dias assim, acordar as 7 da manhãzinha com o gostoso barulho da garoa batendo na janela é algo inexplicável. Não sei como passar para alguém a emoção que sinto quando tem esse tipo de dia. Você tem que sentir para entender o que digo. Voltando, hoje acordei por essa hora e corri para a varanda (porque moro num sobrado) para colocar a mão pra fora do apoio da sacada para sentir as gotas silenciosas antes o movimento da rua. O sono foi embora.
Significa que essa hora pode ser minha. De rosto lavado, trajada em um pijama confortável e sentei-me na mesa do notebook lá no quarto para começar a trabalhar nas postagens dessa semana... Ao mesmo tempo que coloquei filmes, séries e legendas para baixar, respondi aos amigos no whatsapp, dei uma checada no instagram, abri a página do twitter e reservei, verifiquei os emails da faculdade, as compras na internet, deixei meu café da manhã a ser preparado na sanduicheira, toddy acompanhando e gato confortável deitado na estante. Nada como acordar cedo para isso, sem fazer as coisas correndo, tudo no devido tempo. Minha cama está uma bagunça e não vou arrumá-la nem tão cedo, vê-la com suas almofadas e travesseiros amontoadas com a coberta está me chamando timidamente para largar o computador e me aninhar a ela mas não farei isso, irei resistir mais um pouco. Mudar o cardápio do almoço foi algo bastante inusitado mas é sempre bem vindo para quebrar a rotina, faz tempo que parei de ficar louca com meu peso, sério. Isso fez muito mal ao meu bem estar, o povo pode comer e eu não ou então iria parecer uma leitoa ambulante na rua mas a verdade é que não me importo mais. Desde que não afete minha saúde e até agora estou muito bem com ela, eu vou é comer o que der vontade e dessa vez foram deliciosas rabanadas com canela e açúcar e algumas bolas de sorvete de prestígio. Barriga cheia, coração contente. O dia é meu e eu executo-o da forma que bem entender.
São os dias que não sinto nada. Simplesmente ligo no piloto automático e deixo-me guiar pelo ritmo das horas. Liberei minha tristeza oculta, aquela que não apresenta lágrimas e lamúrias, deixei-a aproveitar sua liberdade sem pressão ou horário para voltar. O som da água caindo na escada conforta enquanto minha notável amiga respira a cor cinza de sua maneira. O dia chuvoso. Gelado. Frio. Com seus cinquenta tons de cinza. Sem nada para fazer. Sem nada para sentir. Apenas os cabelos soltos dançando com o vento. Sem murmúrios. Sem resquícios de uma alma viva sequer. Digno de um cenário de fim de mundo, sendo apocalipse zumbi ou não. O dia do meu extermínio.


Encontro-me sentada na rede da varanda escutando o cd mais recente do Evanescence sem os fones de ouvido e está em perfeita harmonia o som da chuva com a voz da Amy Lee. Um lado bom de se ouvir Metal é que podemos variar nos trocentos gêneros nele contidos e escolhi o metal melódico dela porque gosto da tristeza de suas letras. O tempo frio me traz essa nostálgica dor como confronto a faixada monstruosa de gárgula intocável que desenvolvi para mim mesma. Desafia meus gritos guturais e toca a agressividade presa em minha playlist para se conformar em uma melodia mais simples, sem grandes novidades. Toca agora a Sick, a minha favorita já passou mas gosto dessa e até pensei em tocar um cover. A vontade passou, ficar aqui fora é mais gostoso mesmo com meu cachorro latindo para o pessoal que caminha na calçada.
A hora passou que nem percebi, fiquei escrevendo os capítulos do livro da pequena sirena Lenore a tarde inteira e esqueci do mundo, não tem melhor momento do que esse. Nada compra esse curto dia molhado onde pude colocar minha personagem em meio de uma briga para combater seus próprios demônios, apenas o silêncio desse momento pode compartilhar comigo a liberdade de fazer vários nada. Já se faz noite e a casa encontrasse cheia, ouço cada palavra e risada emitida e as guardo em mim, sorrio brevemente para esse aconchego e já me preparo para deitar na cama e ver o seriado Salém, o qual havia prometido deveras vezes para uma amiga que iria assistir para podermos comentar a trama.
Pode parecer uma postagem qualquer mas para mim é um grande desabafo. Não preciso sempre contar só o lado ruim das coisas porque tenho meus momentos solitários e gostosamente doloridos para curtir sozinha, e como disse Edgar Allan Poe: "AND ALL I LOVED, I LOVED ALONE", tudo o que amo, eu amo sozinha, não é em alegria e muito menos em compaixão, é apenas um contemplar delicioso de minhas dores profundas que estavam guardadas no meu amago em meio ao meu caos particular. Então eu sei que vai ser um dia bom quando minha solidão passeia no dia gelado e volta para o ninho sem protestos, congelasse dentro daquela gárgula lá do topo da catedral da cidade e se entrega para o seu sono mais eterno. Segure firme, garotinha, o fim está logo chegando.
Agora irei para meu quarto, esse velho corvo cansou de voar... Apenas por hoje.

•••••••••••••••••••

E vocês, quando sabem que vai ser um dia bom? Conte sua versão diferente da minha, vamos compartilhar nossas loucuras. Um beijo e um queijo, gentes.

7 comentários:

  1. Amei o post! <3 Amo dias de chuva, como você disse, dias de fazer vários nadas. Andar de meia pela casa... Não existe melhor coisa hahaha.
    Evanescence é muito amor!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bom quando o clima fica assim, parece a disposição volta! A única coisa negativa desse dia foi escorregar na escada mas de resto foi super proveitoso. ♥

      Excluir
  2. Mas menina, você escreve muito bem!
    Que coisa linda esse post... enquanto lia sua descrição as imagens iam tomando forma na minha cabeça.
    Eu concordo com você, dias cinzentos e chuvosos são uma delícia para ler, assistir filmes e fazer vários "nadas", o conforto térmico então, nem se fala (também moro em Sampa) mas se tem uma coisa que DETESTO é sair de casa na chuva pra ir trabalhar/faculdade. A cidade vira um caos, o transporte público idem... é desesperador.
    Adorei esse trecho: (...) eu sei que o vai ser um dia bom quando minha solidão passeia no dia gelado e volta para o ninho sem protestos...
    Muito poético, lindo, lindo!
    Beijos!
    Fê Cardoso
    http://www.baseadoemlivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada flor, ♥
      Sentiu o que eu senti? Viu que dia perfeito! Nem me fala, o conforto e a paz é algo imensurável, não sei viver sem e confesso que estava sentindo falta desse clima em Sampa porque o calor estava insuportável já. Sério? De qual lugar de Sampa?
      Trabalhar em tempos assim é terrível mas gosto quando chove e vou a faculdade porque lá tem uma árvore linda no meio da mesma e a sala da minha turma tem uma parede de vidro que dá pra ficar olhando a chuva cair, é lindo ♥
      É bom deixar a solidão passear, ficar prendendo ela só me deixa agoniada ç.ç

      Excluir
    2. Moro na zona norte, mais especificamente na Parada Inglesa e trabalho na linha 1 - azul do Metrô! Se qualquer dia você ver uma doida de cabelo rosa operando um trem, SOU EU! Hahahhahahah.
      Deve ser uma delícia essa sua sala de aula!
      Beijos!

      Excluir
  3. Amei seu post!!!
    Sou apaixonada por dias chuvosos e respondendo a pergunta do texto: "Quando é um dia bom?"
    Todos os dias podem ter algo de bom, precisamos olhar e ser gratos pelos pequenos momentos e as pequenas conquistas que conseguimos diariamente.
    Ter uma mesa farta, poder sair de casa para trabalhar, ter a nossa família por perto. Tem muitas pessoas que gostariam da metade do que temos e que não podem usufruir disso por vários motivos.

    Parabens pelo seu blog!
    Amei!!

    www.meumundosecreto.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada flor ♥
      Como citei acima, todos os dias tem seus feitos e temos que saber como aproveitá-los ao máximo mas confesso que, quando chove, meu dia torna-se 100% proveitoso. Haha. Mas sim, temos que ser gratos por termos o que temos, apenas assim poderemos sentir a benção da vida. Obrigada pelo comentário.
      Eu que amei o teu, super acompanhando agora. Sucesso!

      Excluir

1. Espalhe amor, e não ofenda.
2. Diga ao Stitch, do Mushroomhead, que a boca dele está muito longe da minha.
3. Leia o post todo antes de comentar, não desvalorize o trabalho de quem criou.
4. Deixe seu bróguinho para eu visitar.
5. Assistam Black Sails, irão se apaixonar. ♥